Um homem que eu nunca tinha visto.
Eu nunca tinha visto o Renato na vida. Ele só passava voltando do trabalho.
Pedreiro, 34 anos, com dois filhos pequenos esperando por ele em casa.
Sentiu cheiro de gás na minha cozinha. Podia ter seguido em frente. Não seguiu.
Ele virou as costas para o fogo.
Entrou correndo, fechou o registro, pegou meu neto no colo e me puxou pelo braço.
A gente estava quase na calçada quando a cozinha explodiu.
Ele girou o corpo, abraçou o Enzo no peito e recebeu a explosão nas costas.
Virou escudo de carne por uma criança que nem era dele.
Ele saiu de maca. Nós, só com arranhões.
São 35% do corpo queimado: costas, braço, pescoço e vidro no rosto.
Sem o enxerto de pele em 45 dias, a ferida pode virar sepse.
A fumaça feriu o pulmão; sem cirurgia, ele perde metade do fôlego pra sempre.
No SUS, a fila do enxerto é de cinco meses. Ele não tem esse tempo.
A filha dele tem a idade do meu neto.
O Renato é pedreiro e trabalha com o corpo. Sem respirar, não sustenta os filhos.
Ele tem dois: o Pedro, de oito, e a Maria, de cinco anos.
Salvou meu neto de cinco anos e agora a filha dele pode perder o pai.
Faça pelo Renato uma fração do que ele fez por nós.
O tratamento completo custa 52 mil reais. Ele não tem, a esposa não tem, eu não tenho.
Com 30 reais, você paga um centímetro de pele nova — um centímetro a mais de chance.
Ele entrou no fogo por quem não conhecia. Me ajuda a devolver o Renato aos filhos dele.
Quero ajudar o Renato